6.10.07

Mianmar Livre!

Os Sem-Terras vão a universidade!

Nosso objetivo com esse texto é contestar a matéria "Invasão na universidade" publicada na revista Veja de 3 de outubro de 2007.
É de conhecimento público que a revista Veja tem publicado diversas matérias descaracterizando as experiências de educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST. As escolas dos assentamentos de reforma agrária são públicas, mantidas por prefeituras ou pelas secretarias estaduais de educação, nas quais o Setor de Educação do MST tem participado na construção de propostas pedagógicas, que contribuam para a compreensão dos territórios dos assentamentos, a partir das realidades da agricultura camponesa.

Na matéria em questão a Veja procura descaracterizar os cursos especiais de nível superior. Por meio de convênio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA com universidades federais e estaduais, o MST, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG, entre outros movimentos camponeses têm participado como parceiros na realização de cursos de Pedagogia, Geografia, Agronomia, História, Direito etc.

A descaracterizaçã o explicíta na matéria se apóia em dois eixos argumentativos: a) as distinções entre os cursos regulares e os cursos especiais; b) os "fatos surpreendentes" .

Quanto às distinções, destacamos alguns pontos para mostrar os sentidos ideológicos da matéria:

1) A denominada "encenação teatral" é de fato um ato cultural que os movimentos chamam de "mística". Neste ato, os alunos se utilizam de livros de história e literatura para representar fatos da história do campesinato: lutas, conquistas, massacres, costumes, danças, etc. A mística é uma arte em que por meio da música, teatro, poesia, os alunos manifestam suas leituras das realidades representadas.

2) Na matéria há a afirmação que "as disciplinas são definidas em assembléias". Como é amplamente conhecido, os programas dos cursos são definidos pelas universidades. O que os alunos podem definir em assembléias são as escolhas por disciplinas optativas oferecidas.

3) A respeito da disciplina História dos Movimentos Sociais. Esta é uma disciplina optativa presente em quase todos os cursos. Evidente que um curso especial dirigido para um público específico, necessita ter disciplinas optativas que contribuam para a melhor compreensão de suas historias.

4) Calendário: todos os cursos oferecidos aos assentados acontecem nos meses de janeiro, fevereiro e julho, obedecendo a carga horário definida nos progamas dos cursos.

5) "Privilégios na reserva de vagas". O que a matéria denomina de privilégios nós compreedemos como direito. Esses jovens entraram nas universidades por meio de programa de políticas públicas criadas pelo Governo Federal para possibilitar o acesso desses jovens ao Ensino Superior. Considerando que os jovens do campo têm menos probabilidade de entrar na universidade, foram criadas políticas públicas específicas (denominadas de ações afirmativas) para garantir o direito desses jovens ao acesso a uma condição que seria impossível sem as políticas públicas. Portanto, eles concorrem entre eles. É o caso das políticas de cotas para negros. Essas políticas proporcionaram condições para que algumas unviersidades criassem cotas para alunos egressos de escolas públicas.

6) Che Guevara e Karl Marx. Livros desses dois pensadores estão presentes nas bibliografias de disciplinas específicas, assim como há centenas de outros autores para respectivas disciplimas. Destacar somente esses dois autores demonstra o desconhecimento das bibliografias dos programas dos cursos.

Quanto aos "fatos surpreendentes" há alguns pontos que queremos comentar para uma melhor compreensão da intencionalidade da matéria.

Primeriro "fato surpreendente" é que os cursos especiais ocorrem nas melhores universidades e que oferecem diplomas reconhecidos pelo MEC. Se o "surpreendente" tivesse sentido de magnífico, admirável, não seria de se estranhar. Mas não é esse o sentido. O sentido da matéria é de espantar, assombrar, ou seja, questiona: como é que os sem-terra podem estudar nas melhores universidades?

Outro "fato" é menção a um "currículo aparentemente convencional" em que predomina o discurso anticapitalista e o ódio ao agronegócio (sic). Essas ênfases correm por conta da jornalista. Os programas dos cursos possuem bibliografias críticas que analisam as desigualdades geradas pelo modo de produção capitalista e, principalmente, pelo agronegócio que expropria milhares de famílias camponesas todos os anos em quase todos os países do mundo.

Ainda há outras ênfases da jornalista que se refere a "visões dogmáticas", "catequese marxista" e outros termos próprios da lógica da matéria, que procura descaracterizar, sem conhecer os cursos e sem apresentar evidências. Mas o que demonstra melhor o desconheicmento da jornalista é a afirmação que é o "sistema capitalista que financia os cursos especiais". Ela ignora que o financiamento é de recursos públicos a partir dos impostos e não do "sistema".

Por fim, ela fecha a matéria com um conhecido preconceito: que esses cursos representam um atraso e não contribuem para a formação de jovens numa sociedade moderna. Se a jornalista se propor a estudar de fato estes cursos e conhecer as comunidades onde esses jovens vivem, verá que estamos contribuindo para o desenvolvimento das comunidades camponesas. Isso é uma forma de atuar na sociedade moderna.

Ainda é importante informar que a jornalista telefonou para os coordenadores dos cursos especiais de Geografia da UNESP e de Pedagogia da UFMG. Ambos solicitaram que as perguntas fossem enviadas por e-mail e que as repostas fossem publicadas integralmente, sem cortes e intrepretações da jornalista. O que não foi aceito pela jornalista da Veja.

Bernardo Mançano Fernandes e Antonio Thomas Jr

12.6.07

AVISO URGENTE

A FLC-AC, no ultimo dia 07 de Junho do presente ano de 2007, resolveu passar ser chamar a partir do dia 01 de Julho Frente de Libertação Comunitária (FLC). A mudança do nome nada tem a ver com uma possivel perca da influencia do povo conselheirista, na verdade a mudança do nome, ou melhor a diminuição da nomeclatura, é fruto apenas de uma questão estetica.
A frente está apartir dea gora reoganizada para atuações praticas na comuniade em que ela estiver presente. Inclusive já tendo iniciado os trabalhos em algunas comunidades do bairro de Pau da Lima (Salvador-Ba), e que em breve resulta-la num amplo projeto de mutirões, palestras, e diversas atividades culturais.
O lema de luta e mobilização da FLC será "POR MIL CANUDOS NO BRASIL!", que como a propria fase mostra, é a construção de varias comuniades, ou melho zonas autonomas dentro do Brasil, a exemplo de Canudos, mais com muitas diferencas ideologicas, praticas e filosoficas.
A frente vem a publio tambe, informar que está disposta a se articular com outros grupos e movimentos de esquerad para juntos discurtimos e criamos um projeto de "nação" para o país, que acreditamso começar com pequenas ações organizacionais como esta.
Agradecemos tambem aos internautas de varias parte do pais (e alguns do exterior) que nos visitam diariamente e contribuem para divulgar nossas ideias e posições, pois acreditamso que uma nova sociedade se baseia primeiramente na solidariedade entre todos.
Para todos um grande salve da FLC e que lutemos juntos "POR MIL CANUDOS NO BRASIL!"
Frente de Libertação Comunitária
Salvador
12 de junho de 2007
P.S: A partir do dia 1 de julho a nossa pagina virtual mudará para flc.blogspot.com

24.2.07

O que é o Trotskismo?

Alicia Sagra – FOS-Argentina/ LIT-QI
A luta encabeçada por Trotsky, foi derrotada mas ao longo dela, se foi criando uma corrente que se foi organizando em diferentes países, e que em 1938 deu o grande passo de fundar a Quarta Internacional. A intenção era ocupar o vazio que havia deixado a Terceira, o grande partido mundial dirigido por Lenin que com a burocratização de Stálin, havia perdido seu caráter revolucionário. Assim surgiu o Trotskismo.
O que defende o Trotskismo?
O Trotskismo sintetiza a experiência da revolução russa, dos primeiros anos do governo operário e da luta contra a burocracia. Suas principais definições são as seguintes: 1) A Teoria da Revolução Permanente, que considera que a única forma de resolver as tarefas democráticas é com a revolução e o poder operário, defende a combinação das tarefas democráticas com as socialistas e a necessidade (pelo caráter mundial da economia) de que essa revolução se resolva na esfera internacional. Isto significa que para solucionar as grandes necessidades dos trabalhadores e do país (acabar com a fome e a insegurança, garantir trabalho, educação e saúde para todos, resolver os problema da terra, libertar-se do Imperialismo e recuperar a soberania nacional) os trabalhadores têm que tomar o poder, expropriar o Capitalismo e enfrentar o Imperialismo co o desenvolvimento da Revolução Internacional.
2) O método do Programa de Transição, que defende que os revolucionários, devem participar da luta cotidiana dos trabalhadores, dos estudantes e de todos os explorados e oprimidos, para ajuda-los a encontrar um sistema de palavras de ordem que encaminhem suas lutas atuais (trabalho, aumento de salário, defesa da educação, etc) até a perspectiva da luta pelo poder.
3) A crise da Humanidade é a crise de sua direção revolucionária. Quer dizer com isto que haverá cada vez mais fome, morte e destruição e isto tem a ver com a falta de uma direção mundial que oriente as lutas das massas exploradas em direção a destruição do Imperialismo e ao triunfo da revolução operária e socialista. Por este motivo não há tarefa mais importante que a construção de partidos revolucionários nacionais e do partido operário revolucionário mundial.
4) Nada do que foi dito anteriormente se pode fazer sem desenvolver uma luta de morte contra a burocracia e a defesa da democracia operária nos sindicatos e todas as organizações de lutas e dos estados operários que voltem a ser construídos quando os operários tomarem o poder.
Se todos defendem o mesmo, por que há tantos partidos e grupos que se dizem trotskistas?
Essa grande divisão se originou da marginalidade a que os trotskistas foram condenados. A Quarta Internacional nunca pode se transformar em uma grande organização de massas.
O assassinato de Trotsky (a dois anos de sua fundação) teve graves conseqüências. Ele era o último elo que unia os militantes da época com a tradição revolucionária de 1917. Toda essa experiência desapareceu com seu assassinato.
A Quarta Internacional sem o seu principal dirigente, teve que enfrentar a perseguição combinada do Nazismo e do Stalinismo e saiu da IIª Guerra Mundial com suas fileiras muito reduzidas.
A nova direção (jovem e inexperiente) cometeu grandes erros (alguns deles muito graves) que levaram a sua desintegração e a dispersão do Trotskismo.
Por outro lado o Stalinismo que, a frente da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), saiu fortalecido da guerra, aparecia ante os trabalhadores como os construtores do Socialismo e difundia mundialmente uma grande campanha de calúnias contra os trotskistas, o que aprofundava esse processo de dispersão.
Mas agora se descobriu a mentira do Stalinismo e os trotskistas dirigem sindicatos, organizações piqueteiras, organizações estudantis, mas igualmente continuam divididos...
Em alguns casos isto tem a ver com o sectarismo do passado e há que fazer todo o possível para superá-lo. Mas não nos parece ser esta a explicação central.
Para nós o central é que as décadas de domínio stalinista, combinada com a confusão provocada pela queda do Muro de Berlin (coisa que discutiremos em próximos números) e a permanente campanha do Imperialismo sobre a "toda poderosa Democracia", tem incidido sobre as principais organizações trotskistas.
O resultado é que, ao contrário do que indica o programa trotskista, pouco a pouco vão privilegiando as atividades eleitorais.
Um bom exemplo temos na política que desenvolveu a grande maioria da esquerda (incluindo a que se reivindica trotskista) no meio do processo revolucionário que se abriu em 19 e 20 de dezembro de 2001 na Argentina: centraram sua política no chamado a eleições presidenciais ou a eleições de Assembléia Constituinte.
O mesmo se viu na Bolívia em outubro de 2003: uma impressionante revolução operária e popular e a maioria da esquerda latino-americana (incluídas as principais organizações trotskistas argentinas) propondo eleições a Constituinte como saída.
Estas definições políticas fazem com que a lógica eleitoral se imponha sobre a lógica da luta. Assim se impõe a divisão e não a unidade. Por isto, para os que defendem a lógica eleitoral, o importante não é como lograr a maior mobilização unitária contra o governo e o Imperialismo, mas sim quem leva mais gente e quem encabeça a marcha. A grande preocupação não é como organizar conjuntamente a defesa ante a possíveis ataques da repressão, mas sim que os paus sejam usados para dividir ferreamente as colunas e inclusive impor-se sobre as outras organizações na luta por uma melhor localização.
O mesmo vemos no meio sindical, onde os que defendem a lógica eleitoral, impõem o aparatismo e a autoproclamaçã o, seja na luta pelos cargos ou na política liquidacionista de destruir o que não pode controlar. A autoproclamaçã o chega ao absurdo do caso do PO (Partido Operário, equivalente do PCO brasileiro) que sem vergonha não só proclamam que já é o partido revolucionário da Argentina, mas sim que já se assumem sozinhos como a Quarta Internacional.
Não é este o Trotskismo com que nós nos identificamos.
O Trotskismo tem a ver com a luta pelo poder operário e não com saídas burguesas frente às revoluções.
O Trotskismo é sinónimo de democracia operária e não de imposições burocráticas e separatistas.
O Trotskismo tem a ver com o impulso a maior unidade de ação para enfrentar ao governo e ao Imperialismo e com a maior amplitude para construir os organismos de massas e não com a criação de "currais" que dividem a luta.
O Trotskismo nada tem a ver com a autoproclamaçã o sectária dos que consideram ser já a Quarta Internacional, mas sim com a busca paciente (não só entre trotskistas) dos acordos políticos, programáticos e metodológicos que permitem avançar na construção da direção revolucionária, com a qual se possa resolver a crise da Humanidade.